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Autónoma Academy

América Latina, palco das rivalidades entre os Estados Unidos e a China

Nancy Gomes·21 setembro de 2026·4 min leitura

Identificando a Região

À primeira vista, olhando para o mapa do continente americano, a América Latina e Caraíbas com os seus 33 Estados independentes emergem com uma extensão territorial de aproximadamente 20,5 milhões de km2, e uma população de mais de 663 milhões de habitantes (2024).

A Região aparece também como sendo a maior produtora e exportadora mundial de alimentos e a terceira maior produtora de energia, com as maiores reservas de petróleo do mundo e uma das maiores reservas de gás.

A Região possui também quase a metade da superfície de bosques e selvas, 30 % das fontes de água doce do mundo, e uma parte significativa das reservas globais de minerais estratégicos para as novas cadeias industriais.

Olhando mais de perto observamos, todavia, amplas diferenças em termos de desenvolvimento económico, autonomia política, grau de dependência, maturidade democrática, etc.

Identificamos, pois, incoerências na Região que nos levam a pensar sobre o quão verdadeiramente homogéneo é este espaço, e sobre as dificuldades de olhar para o todo como um objeto de estudo concreto.

De onde provém a ideia de uma América Latina?

Foi precisamente um francês de nome Michel Chevalier (Século XIX) quem falou pela primeira vez sobre a existência de uma parte «latina» do continente americano, contrastando-a com uma América diferente, portadora de uma outra herança cultural que ele chamou de «saxónica» ou «anglo-saxónica».

Seguindo os passos de Chevalier, o colombiano José María Torres Caicedo referia-se em “Las dos Américas” (1857) às duas «raças», uma «latino-americana», a outra «saxónica».

Outros autores, em diferentes tempos, e a partir de diferentes lugares, questionaram-se sobre a utilidade do conceito: Rouquié, Touraine, Mignolo, por

exemplo. Falarmos da existência de uma América Latina tornou-se comum, todavia, colocam-se questões sobre as pretensões ou interesses por detrás da ideia.

Evolução histórica e política do sistema regional latino-americano

As diferentes narrativas históricas vão dando conta de um processo que se inicia com a passagem de colónias a estados independentes, mas logo a seguir o domínio de atores extrarregionais como a dos ingleses e a dos Estados Unidos.

A partir do início deste século, novos atores como a Rússia e a China surgem num contexto de «desatendimento» ou «desinteresse» por parte dos Estados Unidos em relação à região.

Mais recentemente, a Administração de Donald Trump invocou a Doutrina de Monroe (1823) e a América, ao menos na intenção do gigante do Norte, volta a ser «só e exclusivamente para os americanos».

Os processos de integração regionais

Ao longo da história dos Estados latino-americanos foram várias as tentativas de organizar espacialmente o continente, desde a Grande Colômbia de Simón Bolívar, o Sistema interamericano tendo como suporte a OEA, a CEPAL como opção contrária ao pan-americanismo e a alternativa hemisférica da ALCA.

Do Mercosul comercial à UNASUL política. A proposta ideológica ALBA, a CELAC, a Aliança para o Pacífico, Prosul, … Apesar de tantas iniciativas, umas vindas do Norte, outras do Sul do continente, quando comparada com outros espaços regionais, a América Latina aparece como um espaço fragmentado.

Principais zonas de conflitualidade na região.

A América Latina e Caraíbas foi proclamada como «uma zona de paz» (II Cimeira da CELAC, Havana, janeiro de 2014), contudo, a Região tem enfrentado a violência associada à criminalidade internacional (narcotráfico, tráfico de armas, extração ilegal de minérios, etc.).

Por outro lado, o fenómeno das Migrações desenvolve-se, ganhando nalguns casos, proporções históricas, pelo número e velocidade, como ocorre com os mais de 8 milhões de venezuelanos que saíram do seu país para outros destinos mais atrativos, como Portugal.

Relações Internacionais da América Latina

Efetivamente, não podemos falar de uma política externa comum da América Latina, mas podemos distinguir atores, acordos e divergências, avanços e recuos e sobre o potencial do relacionamento entre Estados ou grupos de Estados quando falamos de América Latina e os EUA, América Latina e a União Europeia, América Latina e a China, América Latina e África, América Latina e Portugal.

Com o fim de estudar as especificidades de uma Região que hoje constitui um palco das rivalidades das duas maiores potências mundiais, o Departamento de Relações Internacionais da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), o Instituto da Defesa Nacional e a Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) promovem, em parceria, o Curso Avançado de Estudos sobre a AMÉRICA LATINA. Conheça o programa do curso aqui, Cursos Avançados De Estudos Regionais | Autónoma Academy, e fique a par das últimas notícias, eventos, publicações, no âmbito da Cátedra de Estudos Ibero-Americanos, Cátedra dos Estudos Ibero-Americanos | Cátedra de Estudos Ibero-Americanos, criada em parceria pela OEI e a UAL.